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O humorístico transporte coletivo Conheço poucas coisas tão divertidas e democráticas quanto percorrer a cidade em um coletivo urbano. Não fugimos à regra das grandes cidades, com horários às moscas e outros de “cruz credo!”. A ideia não é discorrer sobre problemas do serviço, preços e tais, mas sobre as “boas” que se vê em um passeio. Sempre tem, é claro, aqueles com alguns quilos acima da média, com sérias dificuldades para passar a roleta. Até aí vai, mas quando não há assentos vagos, agarram-se (desesperadamente) nas duas laterais e trancam o corredor. Passar para a frente então é um exercício de paciência, isso quando não estão com crianças ou sacolas. Carrega-se quase tudo, exceto animais, em um coletivo. Já vi gente com meio mercado, com caixas térmicas, computadores, malas etc., e até caixa com pintinhos (de verdade). Os guris mais faceiros adoram aqueles dias em que o cobrador e o motorista tem a ideia de que sempre cabe mais um, aos pedidos de “um passinho pra frente, por favor”. Sempre tem aquele mala que no meio do ônibus resolve ficar de dono do pedaço, interditando a passagem dos outros para frente e obrigando outros a se empilharem atrás. Tem também o bebum que entra e desce pela porta dos fundos, sem pagar é claro, porque ninguém quer o estresse para si. Sintoma de que os jovens vivem em outro mundo é quando deixam de dar lugar aos idosos, permanecendo sentados a pensar “xi, que bagaço”! Mal-educados, não eles, mas os pais, por não terem instruído. Vi, é claro, o idoso (60 e lá vai bico, óculos de meio quilo, etc), que com todo o bus vazio escolheu sentar ao lado da meninota para fica (literalmente) babando no ouvido dela, no maior “me acho o gatão”. Na democracia, se compartilha. É o caso da asa, por exemplo, que é dividida coletivamente. Uma das melhores foi o rapazote, no primeiro banco, que pigarreou, puxou lá da alma (de porco, é claro) e cuspiu pela janela. Só esqueceu que em movimento, acaba sobrando para quem está nos bancos de trás com as janelas abertas. Ah, tem também as sessões de massagens gratuitas, nas costas, porque as nossas ruas possuem tantos buracos que um bom roteiro equivale praticamente a uma sessão de massagem. Sem contar nas montanhas de lixo colocadas em algumas ruas (à espera do lixeiro, óbvio), o que obriga o motorista do coletivo a fazer malabarismos e peripécias para dobrar a esquina. Tem cara craque no volante! Não me digam que nunca viu um estabelecimento comercial que aceita vale-transporte como moeda? Isso é que é valorização da passagem. Ah, isso sem contar o humor nato existente nos falatórios. Há aqueles trabalhadores que fazem todos os dias o mesmo horário, são velhos conhecidos, rivalizam times de futebol, comentam as últimas do chefe e da vizinhança e sabem mais que o Zelindo e o Jairo juntos. Sério! E tem as pérolas, como as do Everton Maciel. Bem, quando estudante ele passou a “pegar” o mesmo busão seguido. Com o andar da carruagem, interessou-se por uma menina (linda, ao que consta), mas percebeu que ela deveria ser surda/muda, visto estar sempre no grupo de alunos da Escola Especial que gesticulavam nas conversações. Mais atrevido, um dia foi sentar ao lado dela. Sem conhecer a Libras (língua brasileira de sinais), pôs-se a escrever bilhetes para ela, que, gentilmente respondia, também por escrito. Estavam se entendendo quando tocou um telefone. Mexe aqui e ali e a jovem atende o celular e põe-se a falar com a mãe. Ué, tu não és surda/muda? - perguntou espantado o Everton tão logo ela desligou o aparelho Eu não. Pensei que tu é que fosse. Mico. Micão, na verdade!
Escrito por Por Cê Martin e Dé Rodrigues às 18h23
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C.Martin (Velozidade) A carruagem do tempo inverteu papéis. A má-madrasta é mãedrasta o lobo que era mau de pedófilo virou bom o vampiro não chupa sangue o fantasma não assusta o diabo já não existe o padre insiste ai, ai, das minhas crianças
não estão nos libertando dos medos
estão nos tirando histórias levando fragmentos que sempre nos compunham.
Escrito por Por Cê Martin e Dé Rodrigues às 20h36
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Coluna publicada no Jornal Noroeste, na edição do dia 06 de fevereiro, no espaço do titular Gilberto Kieling. Sem ouvir o povo! Mais de 40 mil votos não podem ser ignorados. Se os políticos eleitos, em qualquer uma das funções, representam o povo, nada mais justo que ouvi-lo (o povo, é claro!). Se bem que, ultimamente, a ausência de manifestações de massa, passa a impressão de um conformismo social. Estariam todos satisfeitos com seus “vinténs”? Mas voltando ao tema “representar o povo” significa dizer que têm procuração (condida via voto) para dirigir os destinos da maioria. Isso torna ainda mais incompreensível porque as decisões vêm muitas vezes em benefício próprio. Isso explica psicologicamente duas importantes questões nacionais. O brasileiro não fiscaliza porque não é ouvido. Os homens do poder pensam antes neles que no povo. Como um expressivo número de políticos é corrupto, os mais jovens entendem que roubar é lícito. Eis as portas abertas ao caos. XXX Mas deixando de lado essas divagações sociológicas sobre o Brasil, voltemos à realidade local. Cabe uma breve reflexão sobre a lei municipal que denomina a até Praça da Bandeira de Praça Presidente Getúlio Dorneles Vargas. Nada contra o finado, mas a cidade podia passar sem essa. O nome antigo é mais poético, está entranhado na história local após seis décadas de uso. Então Pautilho Palhares, o homem que estava à frente da construção da Prefeitura e do loteamento da cidade alta.... mas Vargas.... Um: a imprensa dormiu no ponto em não fazer enquete e questionar antes da aprovação, chamar o povo para o debate, porque acho que o povo não foi ouvido. Dois: o prefeito deu uma de Pilatos e lavou as mãos, tocando ao Presidente da Câmara sancionar a mesma. Perguntas básicas: Se o nome Praça da Bandeira não era oficial, custava muito oficializá-lo assim como estava? Se não era oficial, como os estabelecimentos comerciais que estão no seu entorno estão situados na Praça da Bandeira número x? Lembro que há alguns anos atrás uma pessoa adulta podia ir ao cartório registrar seu próprio nome caso os pais não tivessem feito isso quando criança. Se a Praça da Bandeira pudesse fazer isso, será que mudaria seu nome? xxxx A chiadeira é geral contra a contratação dos 10 Ccs na Câmara de Santa Rosa, que conseguiu ser notícia no Estado. As entidades, tendo a Agência de Desenvolvimento como líder, questionam a legalidade da lei. Ora, pelo menos há algo positivo: em meio a um quadro de desemprego no mundo, serão 10 empregos gerados. Mas, já que os cargos são públicos e os salários serão pagos com recursos públicos, o mínimo que se deveria esperar é um concurso público para preencher as vagas. Assim não ficaríamos com a impressão que é para acomodar amigos e financiadores de campanha. A alegação de que a contratação via concurso traria mais gastos à Câmara é chover no molhado. xxx Algo para descontrair Certa feita, em uma repartição pública, de uma cidade que não é Santa Rosa, pediram a um vereador que junto aos demais documentos apresentasse o título. Prontamente respondeu: Ainda não fui homenageado. Mas um colega da Câmara já está providenciando. Xxxx As novas regras da Língua Portuguesa trazem algumas “estranhezas” como escrever ideia ao invés de idéia, como era antes. Mas, na língua falada, na pronúncia, nada muda. Então, quando você está ouvindo música e um cantor diz “eu e você sabe”, pode ter certeza que ele nada sabe. Sério. Ouvi esse assassinato à Língua Portuguesa durante a semana. E não é de hoje que algum órgão oficial deveria fiscalizar minimamente as composições e suas interpretações. É de chorar o que se ouve nas rádios. Não bastasse a qualidade questionável, os erros de concordância achincalham o Aurélio. xxxxxxxxx De Portão, na Grande Porto Alegre “Como assim, saiu viajar e a casa vai ficar quatro dias sem ninguém? E não tem grade? Mas em que lugar vocês vivem? Pergunto eu: em que lugar eles vivem? xxxx A despeito disso, a barbárie em São Paulo nesta semana foi coisa de país em guerra civil. Aqueles jovens na Paraisópolis (olha o nome da favela!) supostamente para exigir mais “segurança”, jogando pedras, destruindo e incendiando carros, atirando na polícia, semeando o caos... Algo está errado, com os jovens e com a sociedade brasileira. Impunidade demais. Conivência demais. Direitos demais a quem não respeita a lei... ao infrator. Bela propaganda do Brasil para a Copa do Mundo de 2014.
C.Martin
Escrito por Por Cê Martin e Dé Rodrigues às 15h11
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