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Gente nova na área...

Tudo a ver com o que escrevo, né?
Mas os amigos sempre merecem atenção especial. E como sei que a galera que me lê é da "família", fica aí o recado.
"Nasceu no dia 19/06/08 às 5:04 no Hospital Dom Bosco o Marvin".
O registro é do Sávio Hermes, papai fresco.
Felicidades ao colega da ASES, ao presidente da Cidade Interativa, e amigão de longa data.
 
C.Martin.


Escrito por Por Cê Martin e Dé Rodrigues às 15h21
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O lixo que não desaparece nunca

Não sei há quantos anos costumo atravessar a pé a área de terra que separa as vilas Beatriz e Flores, mas certamente mais de 15 (tempos da faculdade). Só uma coisa mudou neste período: a Administração Municipal pôs calçamento naquela ligação, facilitando a vida dos motoristas e pedestres. Na verdade estou sendo ácido demais, porque em se tratando de uma área vaga, bem no coração da cidade, poderia estar abandonada. E não é o caso, pois há plantio de safras.
E há também um outro aspecto positivo: lá na última beirada desta área, no fundão, como se diz, passa o riacho Pessegueirinho. Está bem mais limpo, com peixes em cardumes em alguns lugares, coisas que eu não via quando moço e morava na vila Flores. Outra boa notícia relacionada a esta faixa, é o cercamento com arame farpado, deixando uma nascente à preservação ambiental (poderia ser ampliada esta margem, mas, pelo menos houve avanço).
A má notícia de esta área de terra entre as duas vilas ainda estar inabitada é a sua utilização para depósito eventual de lixo. Há, em alguns lugares, montanhas de galhos de podas. Mas o que chama atenção são sacolas de roupas velhas, embalagens pet, sacolas plásticas com detritos, e pasmem, até alguns pára-brisas de automóveis (quatro num mesmo local). Isso não muda: o homem livra-se do que é seu problema criando problema à mãe-natureza.

C.Martin


Escrito por Por Cê Martin e Dé Rodrigues às 15h03
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De Ernesto Sábato – A Resistência

O Luis Artur, amigo de longa data, pediu-me que escrevesse algumas linhas acerca do novo livro do Ernesto Sábato, escritor argentino, que “do alto dos seus 97 anos” consegue perceber o mundo com uma lucidez impressionante. A obra “A Resistência” foi lançada há pouco e é aclamada pela crítica, talvez por conter um olhar a ré, se assim podemos dizer.
Sábato não se posiciona contrário ao progresso e à tecnologia, mas, põem sua literatura a observar esses avanços sob outro ângulo. Diz, andar várias quadras para encontrar um café (como a nossa Napoli) onde possa degustar não apenas a bebida, mas o silêncio, a companhia de amigos, uma conversa com seres de carne e osso. Isso, claro, sem a interferência das músicas e aparelhos televisores. Seu posicionamento é por um homem mais “devagar”, menos refém da tecnologia que o prenda aos ambientes fechados, onde ao mesmo tempo que permite o contato com seres de qualquer ponto do planeta, isola essa mesma pessoa entre quatro paredes. Sábato pede um olhar às folhas caindo, aos brotos da estação, às relíquias da casa-velha.
O escritor argentino propõe uma “resistência” porque prevê que a alma do homem, a sua lucidez, não conseguirão acompanhar todos os avanços tecnológicos sem efeitos colaterais. Sábato pede menos televisão ligada, menos acesso à internet, menos carros nas ruas. Mais calor humano, mais percepção aos sons da vida. Não é saudosismo de um senhor de 97 anos. É um grito de lucidez diante das novas gerações e da nossa geração.
O Bola (que não tem celular e anda de ônibus), o Schimo (com seu ver TV na madrugada e dormir a manhã toda) e outros que criam seus próprios meios de sobreviver ao alucinado mundo moderno, sem perder a identidade, a criatividade e o raciocínio crítico, adorarão o livro.

C.Martin



Escrito por Por Cê Martin e Dé Rodrigues às 15h26
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A assinatura do Mó

O artista que tem "bala da agulha" é sempre peculiar. Ele abarca características alheias, mas mantém uma identidade própria, aquela que lhe confere a assinatura de Artista. Se você lê algo dos autores locais, consegue facilmente identificar Ariceu Simão Paiva (entre o gauchesco e o telúrico), Valdir Silveira Ribas (a natureza em primeiro plano), Claudiomiro Sorriso (o romantismo exacerbado), o ermetismo alucinado do Sávio Hermes, e assim por diante.

Quem conhece artes plásticas ou vai sistematicamente a alguma exposição em Santa Rosa, certamente identifica obras de Olga Liberali, Valdir Fester, Rafa Vieira, etc. No entanto, poucos têm tamanha individualidade quanto Mauro Altino, o carismático Mó. São três décadas de militância no mundo não remunerado da arte, viajando especialmente pelo "cartum", pela charge, pela caricatura.

Fui conferir a exposição na Biblioteca Municipal, na semana passada. Fantástica. O que mais causou impressão em mim foi a presença das cores. Estou acostumado a ver obras do Mó somente com o nanquim ou à caneta mesmo, desprovidas da cor. É um outro Mó no próprio Mó. Emoldurados, transformados em quadros, poderiam revestir paredes de quaisquer lugares do mundo.

Apreciei demais também os trabalhos em estilo quadrinhos, onde em uma página A4 Mó consegue quase o mesmo efeito que muitos escritores põem em 80 páginas de um livro. A crítica social permanece presente, prova inconteste que o Mó, que a sua obra amadureceu muito, mas continua fortemente identificada com suas raízes e seu contexto atual. A arte assim, e põem em seu lugar mais elevado, na condição de atingir o homem adormecido no próprio homem.

Quem perdeu, perdeu muito.

C.Martin



Escrito por Por Cê Martin e Dé Rodrigues às 14h24
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