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A ASES no limite
Onde estão os amigos da ASES? Os sócios, onde andarão? Os escritores de Santa Rosa, onde andarão? Sob as nuvens da omissão fica fácil tecer críticas. Fazer exige bem mais que palavras belas. Fazer é dar e doar. As mãos estão cruzadas? É porque por certo não seguram canetas. A Associação nasceu madura, adulta. Não gatinhou. Sempre andou e esteve em pé. Talvez por isso esteja experimentando seu estágio de dissabor, seu estágio de desesperança tão comum aos filósofos e pensadores. Após, virá a explosão de criatividade outra vez. Há muitos parasitas para poucos hospedeiros. E o tempo pede o inverso. A ASES vai sobreviver ao livro do Borges, vai sobreviver ao Pierre (com seu ódio banal e fútil), vai sobreviver ao abandono de alguns. Virá mais forte quando voltar a se mover. Virá imortal. Porque a ASES é sonho, e sonhos obtêm forças impensadas quando é a hora certa. E, se você leu isso, sentiu-se incomodado, incomodada, com o desabafo, então é porque ou faz parte dos que nada fez ou dos que ajudará a alavancar o sonho.
C.Martin
Sou, o que penso não o que pensam.
A sombra no poente se alonga para tocar além do que o olhar alcança.
C.Martin
Escrito por Por Cê Martin e Dé Rodrigues às 15h19
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Resistência de Elite! O Resistência deste sábado, 24, no SESC, no mesmo horário de sempre, aborda o filme Tropa de Elite, uma das produções mais badaladas e comentadas da história cinematográfica brasileira. A galera de sempre, Coelho, Bola e Cia, com a ASES interferindo com declamações poéticas.
Ainda não vi o filme, mas tenho uma questão a levantar com antecedência: a mídia transformou o filme em um bestseller de vendas piratas. Algo como 2 milhões viram no cinema e 8 milhões nos DVDs. Que influência é essa? Após esse boom, veio uma febre de opiniões que dão ao povo um entendimento de que o filme é um documentário. E não é. É ficção. Ao que parece, a média do país não sabe diferenciar isso. Se há verdades em cenas de ficção, é pois um retrato social do querido gigante adormecido.
C.Martin
Escrito por Por Cê Martin e Dé Rodrigues às 12h08
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O Musicanto saiu da UTI
Talvez o melhor Musicanto dos últimos anos. O mais plural. O mais popular. O mais emotivo e receptivo ao público. Tenho minhas queixas com relação às músicas classificadas à final (lamentei a ausência da representada por Iraci Rocha), o Schimo certamente tem as dele, o Valdir Ribeiro idem, etc. Mas no geral, no que diz respeito ao conjunto todo, há unanimidade: foram ótimas escolhas. Saímos todos impressionados. Um dos motivos é porque Santa Rosa nunca antes esteve em tal estado de graça com relação ao seu bairrismo. E sem maracutaias, sem protecionismo. Fomos bem (como município) porque tivemos competência. Os meninos Darlan Ortaça, Bruno Timm Speron e Antônio Carlos (Careca), com sua troupe, encantaram. Mereceram levar a Melhor Música Instrumental. Superar o Quartchêto (Hilton Vacari e Cia) é por si só um fato para figurar nos anais. E o que dizer do professor Adilson Franck (diretor do Da Paz), com a maravilhosa apresentação das "Duas Lidas", cantada em pé por uma entusiasmada torcida. Ainda que regionalista; ainda que sem elementos musicais que propusessem inovar em ritmo; ainda que bem nossa... a música mereceu até beliscar algo mais. Sagrar-se a Mais Popular é abrir portas. Talvez seja mais executada nas rádios que a campeã. Quanto à vencedora, a do Caco Xavier que se especializou em Musicanto, irretocável, impecável, mágica. O público sentiu já durante a eliminatória estar diante da grande campeã deste ano. Perfeita. Unânime. "Prece e Cancão" teve mais cara de Brasil, mais cara de Musicanto, mais pluralidade. É preciso dizer isso, observar isso e sempre assinalar que o festival santa-rosense não é a Coxilha Nativista ou outro similar: o Musicanto é ousado. Ah, e o público, em tão grande número, que na sexta-feira a Nair Heimerdinger estava desolada, sem saber o que fazer com aqueles que chegavam (com a capacidade esgotada. Público participativo. Dito isso, quero deixar alguns registros, como sempre faço, como observador, como amigo do festival. Acredito que o acampamento está de vez sepultado. Não tem vida própria. Não tem alma. E com ele sepulta-se a necessidade de dois ambientes. No ano passado Luiz Marenco saiu frustrado do show externo (vazio) e esse ano saiu endeusado da sua apresentação interna. Joca Martins não é qualquer um. É um dos melhores cantores nativistas, é um gênio da nossa música. Merecia mais que 150 espectadores. Era nome para estar no palco principal. Na Praça da Alimentação só é possível tal movimento em domingo à tarde, isso, se houverem atrações paralelas. Particularmente, sou favorável à triagem regional, à abertura de espaço à música de Santa Rosa, como de igual forma defendo o Musicanto Universitário. São opções que devem e podem ser acentuadas. Quem sabe, no futuro, o Parque de Santa Rosa não terá três festivais ocorrendo ao mesmo tempo: o local, o universitário e o maior? O Musicanto Universitário tem espaço para crescer, e muito. Os acadêmicos formarm um público crítico, perceptivo, que precisa saber do Musicanto. É o festival que tem de ir a eles. Tive compaixão de um músico paulista, cuja letra era boa, com condições de classificar à final. Pecou nos arranjos. Pecou porque veio só, conseguiu dois comparsas aqui no Festival e mostrou sua coragem. É mais um destes artistas sem grana, pedinte, que precisaria de ajuda de custo maior. O Musicanto precisa auxiliar com valor mais elevado os cantores de longe, reconhecê-los antes de subirem ao palco. Entre os críticos, várias vezes citou-se a comissão de triagem. Não com xingas, não. É difícil, certamente árdua tarefa, receber 600 composições e escolher 24. Mas essa "separação" de joio e trigo precisa de tempo maior e talvez, até mais jurados. É aí que se decide a qualidade do Festival. Algumas concorrentes deste ano eram "fracas" demais. E para Santa Rosa, uma pequena ressalva: o Musicanto precisa mais que uma semana. As vilas, o povo (mesmo que não vá) precisa saber o que é o Festival e saber que ele está ocorrendo. É preciso ser cultura permanente em nossa cidade, estar na veia, estar nos jornais, estar nas rádios, estar nas escolas, estar estando. Giruá fez um festival nativista há alguns anos com um grupo de artistas vindo com alguns dias de antecedência para fazer apresentações nas escolas. Talvez seja esta uma sugestão. No todo, parabéns ao Tilica, à sua equipe, ao Coelho, aos que suaram pelo Festival. O Musicanto saiu da UTI com grandes chances de prolongar sua vida. E com saúde.
C.Martin
Escrito por Por Cê Martin e Dé Rodrigues às 13h38
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