Escrito por Por Cê Martin e Dé Rodrigues às 10h33
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(Qualquer semelhança é...)
As formigas (microconto)
O Excelentíssimo ignorava por completo a razão da debilidade presente. Um dia acordara daquele jeito: engessado, estático e mudo. Foi quando as formigas apareceram. Eram de tamanhos e cores diferenciadas, de famílias distintas. Parentes em si, certamente. Primeiro vieram as miúdas roer-lhe as unhas; depois outras, maiores, dilaceraram as carnes até exporem os ossos. No princípio havia dor, até passar a ignorá-la também. As feridas já não sangravam. Mesmo sendo um gigante, o Excelentíssimo, tinha consciência dos estragos provocados pela inércia. Nos seus últimos borrões de lucidez, redobrava os esforços para preservar os olhos quando ouvia a voz das saúvas que teimavam em comer-lhe as vísceras. Estava inconsciente, febril, quando a serra rompeu o gesso. Os jardineiros comentavam os estragos enquanto borrifavam as formigas. Nesse delírio, o Excelentíssimo, não distinguia se lhe devolviam a vida ou o arrastavam à morte.
C.Martin
(microconto 2 - Leia lentamente esse texto.)
Marciano
Ela não acreditou ao encontrar o apartamento vazio.
Sempre pensara que combinavam. Algo como amor eterno; inseparáveis. Ainda mais com nomes tão parecidos.
Foi à praia só naquela manhã. Marcia escreveu o nome dele na areia.
MARCIANO
Pouco depois uma onda apagou apenas a última sílaba. E MARCIA ficou só consigo mesma.
Quando a outra vaga veio, maior ainda que a primeira, ela já estava no MAR.
C.Martin
Escrito por Por Cê Martin e Dé Rodrigues às 10h20
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Comentário
(Camelódromo)
Pouco se fala sobre o camelódromo (ao que sabe, a construir-se no entorno da Praça da Bandeira). O assunto é pauta da ACISAP nesta semana.
Penso que o assunto deveria estar mais presente na mídia, nos debates, e as entidades deveriam propor alguma discussão mais ampla sobre o tema.
Escrito por Por Cê Martin e Dé Rodrigues às 14h11
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Criança
Nem vestida de bruxa
assusta a criança.
Sob o plástico da máscara
há um coração
que não mascara.
Os homens
fantasiados de anjos
rostos de cera
meticulosos cirurgiões
almas operam.
Sofrem os homens seus medos
porque na vida
não guardaram tesouros
acumularam segredos.
C.Martin
Escrito por Por Cê Martin e Dé Rodrigues às 14h05
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